Tíbia Torta Congênita (Angulação posterior-medial congênita)

Um guia para os pais 

Dr. Alexandre Franscisco de Lourenço

Ortopedia Pediátrica

 A tíbia torta congênita ou angulação congênita posterior-medial da tíbia é uma alteração pouco frequente. O termo congênito refere-se ao fato de ser presente ao nascimento. A causa dessa alteração não é conhecida. Acredita-se que seja um distúrbio do período embrionário (da formação do membro) e não o resultado de fratura ou mesmo postura intrauterina. Nesse tipo de deformidade, o pé está em calcâneo-valgo, ou seja, fica muito para “cima”, quase tocando a parte anterior da perna. Geralmente a tíbia torta cursa com certo grau de encurtamento do membro acometido.

Em 1984 foi publicada a maior série de pacientes com tíbia torta congênita por Pappas no Journal of Pediatric Orthopedics. Esse autor mostrou a evolução de 33 pacientes, que apresentaram encurtamento médio de 4,1cm ao final do crescimento (variando de 3,3 a 6,9 cm).

O grau de encurtamento futuro parece estar relacionado com o grau da angulação ao nascimento

O tratamento inicial consiste de exercícios de alongamento, que podem ser feitos pelos pais a cada troca de fralda. Nos casos mais acentuados é recomendável o uso de gessos seriados, ou seja, a perna da criança é imobilizada com gesso trocado semanalmente e a cada troca é feita uma manipulação para melhorar o posicionamento. Futuramente deverá ser feita a correção da discrepância de comprimento dos membros inferiores, que pode ser uma palmilha de compensação ou mesmo cirurgias para bloquear o crescimento da perna maior ou alongar a perna menor, dependendo do grau de acometimento.