Um guia para os pais

Dr. Alexandre F. de Lourenço

Ortopedia Pediátrica

O termo pé torto congênito é geralmente aplicado à deformidade em equinovaro do pé, embora existam outras formas de deformidades congênitas (presentes ao nascimento) dos pés. Sua causa é desconhecida, apesar das diversas teorias. Diversos fatores, dos quais a genética é a mais reconhecida, parecem contribuir para a presença da deformidade. O pé torto congênito é uma alteração relativamente comum, ocorrendo em torno de 1 a cada 1000 bebês que nascem. Afeta mais o sexo masculino e o pé direito. É importantíssimo que o tratamento seja iniciado prontamente após o nascimento.

tratamento inicial do pé torto é feito com gessoque é trocado semanalmente pelo ortopedista, sendo feita uma manipulação a cada troca procurando-se manter o pé cada vez mais na posição normal. O sucesso desse tratamento depende do grau da deformidade, da precocidade de sua aplicação e obviamente da técnica do ortopedista.

 

É importante saber que a deformidade do pé torto envolve também a perna, que geralmente apresenta algum grau de atrofia (é mais fina) e o pé é discretamente menor que o normal. Deve-se ressaltar que essa atrofia não ocorre por causa dos gessos que são colocados, visto que pés sem qualquer tratamento têm esse quadro clínico. O tratamento com gessos deve ser iniciado logo nos primeiros dias de vida do bebê para que possa ser obtido um resultado como o mostrado a seguir.

 

Temos usado a técnica do Prof. Ponseti, da Universidade de Iowa e temos obtido 87% de correção de todas as crianças que iniciam o tratamento precocemente. Nossa experiência com essa técnica já foi aplicada em mais de 120 crianças e tem sido mostrada em Congressos aqui e no exterior. O tratamento cirúrgico tem sido colocado num segundo plano no mundo inteiro e envolve procedimentos menores quando há um bom tratamento inicial. Assim, é fundamental que o tratamento com gesso seja feito da melhor maneira para que a criança obtenha máxima função para seus pés.